#USSeptemberJobs29K 🧐
A economia dos EUA criou apenas 29.000 empregos em setembro, uma fração dos cerca de 90.000 esperados pelos economistas e uma forte desaceleração em relação ao ganho de 133.000 em agosto, revisado para baixo. A taxa de desemprego subiu para 4,2%, ante 4,1% no mês anterior, ligeiramente acima do consenso de 4,1%. É o dado mais fraco de criação de empregos desde que o mercado de trabalho iniciou sua recuperação do choque da pandemia, e veio em meio a preços elevados do petróleo, a um rendimento dos Treasuries de 5,6% em 30 anos e a um Federal Reserve que já elevou os juros uma vez neste ciclo.
Os detalhes do relatório oferecem pouco conforto. A criação de empregos em julho foi revisada para baixo em 31.000, passando a mostrar uma perda de 10.000 postos, o que significa que a economia eliminou empregos naquele mês. A pesquisa domiciliar mostrou mais pessoas entrando na força de trabalho, o que elevou a taxa de desemprego mesmo com a estagnação das contratações. Os dados de crescimento dos salários foram mistos, e a taxa de participação permaneceu estável. O número principal, por si só, mostra que os empregadores passaram de contratações cautelosas para uma hesitação total.
A reação do mercado foi imediata e, à primeira vista, contraintuitiva. Os futuros de ações subiram, com os futuros do S&P 500 avançando 0,9% e os futuros da Nasdaq subindo 1%. Os rendimentos dos Treasuries recuaram à medida que os traders passaram a precificar uma probabilidade maior de o Fed manter os juros estáveis em sua reunião de outubro. O Bitcoin e o ouro saltaram minutos após a divulgação, enquanto os investidores interpretaram os dados fracos como uma redução da necessidade de um aperto monetário adicional. O dólar perdeu força ante a maioria das principais moedas.
Essa reação mostra o posicionamento do mercado. A expectativa consensual era de um mercado de trabalho resiliente, capaz de absorver outra alta de juros. Em vez disso, o mercado recebeu um relatório que sugere que a economia está perdendo impulso rapidamente. O mandato duplo do Fed exige equilibrar o controle da inflação com o máximo de emprego, e um dado de 29.000 torna mais difícil ignorar o lado do emprego nessa equação. A probabilidade de uma alta em outubro, que já havia caído para cerca de 37% após o dado fraco do PCE no início da semana, recuou ainda mais após os dados de emprego.
O contexto é tão importante quanto o próprio número. Este relatório chega em meio a uma tempestade macroeconômica mais ampla. O rendimento dos Treasuries de 30 anos atingiu 5,595%, o maior nível desde 2002. As taxas das hipotecas subiram para 7,6%. O petróleo disparou acima de US$ 100 devido às tensões no Oriente Médio. O Fed elevou os juros em 16 de setembro pela primeira vez em três anos. Cada uma dessas forças representa um obstáculo às contratações, e o relatório de criação de empregos de setembro é o primeiro dado concreto a mostrar que esses obstáculos estão de fato pesando.
O que você deve observar daqui em diante? As revisões dos dois meses anteriores serão finalizadas no próximo relatório e, se os números de agosto e setembro forem novamente revisados para baixo, o quadro ficará ainda mais fraco. A próxima reunião do Fed, em 28 de outubro, será o evento principal, e o mercado agora precifica uma pausa como cenário-base. Mas o Fed afirmou repetidamente que depende dos dados, e um relatório fraco de criação de empregos não muda automaticamente a trajetória da política monetária. Se os dados de inflação continuarem desacelerando e o mercado de trabalho permanecer fraco, o argumento a favor de uma pausa se fortalece. Se a inflação surpreender para cima, o Fed ainda poderá elevar os juros apesar do número fraco de empregos.
A leitura honesta é que o mercado de trabalho dos EUA está esfriando mais rapidamente do que o esperado, e o mercado está tratando isso como uma razão para comprar ativos de risco, pois reduz a probabilidade de novas altas de juros. É uma reação coerente, mas depende da premissa de que o Fed priorizará o emprego em detrimento da inflação. A validade dessa premissa dependerá do próximo dado de inflação e da própria comunicação do Fed. Por enquanto, os dados fizeram o que precisavam fazer: mudaram a conversa de “quantas altas ainda virão” para “o ciclo de aperto terminou?”. Essa é uma mudança significativa e moldará o comportamento do mercado nas próximas semanas.
Este artigo não é aconselhamento de investimento. A análise baseia-se em informações publicamente disponíveis e não garante resultados futuros.
$BTC $GT $SOL
A economia dos EUA criou apenas 29.000 empregos em setembro, uma fração dos cerca de 90.000 esperados pelos economistas e uma forte desaceleração em relação ao ganho de 133.000 em agosto, revisado para baixo. A taxa de desemprego subiu para 4,2%, ante 4,1% no mês anterior, ligeiramente acima do consenso de 4,1%. É o dado mais fraco de criação de empregos desde que o mercado de trabalho iniciou sua recuperação do choque da pandemia, e veio em meio a preços elevados do petróleo, a um rendimento dos Treasuries de 5,6% em 30 anos e a um Federal Reserve que já elevou os juros uma vez neste ciclo.
Os detalhes do relatório oferecem pouco conforto. A criação de empregos em julho foi revisada para baixo em 31.000, passando a mostrar uma perda de 10.000 postos, o que significa que a economia eliminou empregos naquele mês. A pesquisa domiciliar mostrou mais pessoas entrando na força de trabalho, o que elevou a taxa de desemprego mesmo com a estagnação das contratações. Os dados de crescimento dos salários foram mistos, e a taxa de participação permaneceu estável. O número principal, por si só, mostra que os empregadores passaram de contratações cautelosas para uma hesitação total.
A reação do mercado foi imediata e, à primeira vista, contraintuitiva. Os futuros de ações subiram, com os futuros do S&P 500 avançando 0,9% e os futuros da Nasdaq subindo 1%. Os rendimentos dos Treasuries recuaram à medida que os traders passaram a precificar uma probabilidade maior de o Fed manter os juros estáveis em sua reunião de outubro. O Bitcoin e o ouro saltaram minutos após a divulgação, enquanto os investidores interpretaram os dados fracos como uma redução da necessidade de um aperto monetário adicional. O dólar perdeu força ante a maioria das principais moedas.
Essa reação mostra o posicionamento do mercado. A expectativa consensual era de um mercado de trabalho resiliente, capaz de absorver outra alta de juros. Em vez disso, o mercado recebeu um relatório que sugere que a economia está perdendo impulso rapidamente. O mandato duplo do Fed exige equilibrar o controle da inflação com o máximo de emprego, e um dado de 29.000 torna mais difícil ignorar o lado do emprego nessa equação. A probabilidade de uma alta em outubro, que já havia caído para cerca de 37% após o dado fraco do PCE no início da semana, recuou ainda mais após os dados de emprego.
O contexto é tão importante quanto o próprio número. Este relatório chega em meio a uma tempestade macroeconômica mais ampla. O rendimento dos Treasuries de 30 anos atingiu 5,595%, o maior nível desde 2002. As taxas das hipotecas subiram para 7,6%. O petróleo disparou acima de US$ 100 devido às tensões no Oriente Médio. O Fed elevou os juros em 16 de setembro pela primeira vez em três anos. Cada uma dessas forças representa um obstáculo às contratações, e o relatório de criação de empregos de setembro é o primeiro dado concreto a mostrar que esses obstáculos estão de fato pesando.
O que você deve observar daqui em diante? As revisões dos dois meses anteriores serão finalizadas no próximo relatório e, se os números de agosto e setembro forem novamente revisados para baixo, o quadro ficará ainda mais fraco. A próxima reunião do Fed, em 28 de outubro, será o evento principal, e o mercado agora precifica uma pausa como cenário-base. Mas o Fed afirmou repetidamente que depende dos dados, e um relatório fraco de criação de empregos não muda automaticamente a trajetória da política monetária. Se os dados de inflação continuarem desacelerando e o mercado de trabalho permanecer fraco, o argumento a favor de uma pausa se fortalece. Se a inflação surpreender para cima, o Fed ainda poderá elevar os juros apesar do número fraco de empregos.
A leitura honesta é que o mercado de trabalho dos EUA está esfriando mais rapidamente do que o esperado, e o mercado está tratando isso como uma razão para comprar ativos de risco, pois reduz a probabilidade de novas altas de juros. É uma reação coerente, mas depende da premissa de que o Fed priorizará o emprego em detrimento da inflação. A validade dessa premissa dependerá do próximo dado de inflação e da própria comunicação do Fed. Por enquanto, os dados fizeram o que precisavam fazer: mudaram a conversa de “quantas altas ainda virão” para “o ciclo de aperto terminou?”. Essa é uma mudança significativa e moldará o comportamento do mercado nas próximas semanas.
Este artigo não é aconselhamento de investimento. A análise baseia-se em informações publicamente disponíveis e não garante resultados futuros.
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