No contexto da blockchain e das criptomoedas, o throughput é um indicador essencial que mede a capacidade de uma rede para processar transações, normalmente expresso em Transações Por Segundo (TPS). Este parâmetro reflete diretamente a eficiência e a escalabilidade de uma rede blockchain, sendo indispensável para sistemas que pretendem alcançar uma adoção em grande escala. Uma elevada capacidade de throughput permite que a rede processe um maior número de transações por unidade de tempo, proporcionando uma experiência de utilização fluida, especialmente em aplicações que exigem volumes elevados de transações, como sistemas de pagamentos e plataformas de negociação.
O conceito de throughput teve origem nas áreas de informática e engenharia de redes, sendo utilizado para quantificar a quantidade de trabalho que um sistema consegue processar num dado período de tempo. Com a expansão da tecnologia blockchain, este conceito passou a ser aplicado na avaliação do desempenho das redes blockchain. As primeiras redes Bitcoin apresentavam um throughput de cerca de 7 transações por segundo, o que levou à procura de vários métodos para aumentar a capacidade de processamento, nomeadamente a expansão do tamanho dos blocos, a optimização dos algoritmos de consenso e a introdução de tecnologias como o sharding.
O throughput de uma rede blockchain depende de múltiplos fatores, incluindo o tamanho dos blocos, o intervalo de geração dos blocos, o mecanismo de consenso utilizado e a largura de banda disponível. No caso do Bitcoin, que recorre ao mecanismo de consenso Proof of Work (PoW), o limite do tamanho dos blocos e o tempo médio de geração de blocos de cerca de 10 minutos resultam numa capacidade de processamento relativamente baixa. Já a Ethereum tem vindo a aumentar o seu throughput através do ajustamento dos parâmetros dos blocos e da transição para o consenso Proof of Stake (PoS). Por seu turno, projetos mais recentes, como Solana e Avalanche, recorrem a soluções técnicas inovadoras e reivindicam através delas taxas de processamento na ordem dos milhares ou mesmo dezenas de milhares de TPS.
Embora o alto throughput seja uma característica desejável para redes blockchain, o seu aumento implica frequentemente concessões em termos de segurança e grau de descentralização, dando origem ao chamado "trilema da blockchain". Por exemplo, ao aumentar-se o tamanho dos blocos, pode-se incrementar o throughput, mas corre-se o risco de reduzir o número de nós participantes, uma vez que a gestão de blocos maiores requer hardware mais potente. Do mesmo modo, certas soluções de alto throughput podem comprometer elementos de descentralização, aumentando os riscos de centralização. Além disso, mecanismos complexos de escalabilidade podem criar novas vulnerabilidades de segurança ou dívida técnica, tornando a rede mais exposta a ataques.
O throughput é determinante para a aplicação prática e para a massificação das redes blockchain. Com o crescimento da adoção das criptomoedas e da tecnologia blockchain, a exigência por capacidades de processamento elevadas intensifica-se. Áreas como transações financeiras, gestão de cadeias de abastecimento e Internet das Coisas beneficiam particularmente de um throughput superior, permitindo cenários de aplicação mais robustos e facilitando a aceitação generalizada da tecnologia blockchain. Paralelamente, o setor continua a explorar novas formas de impulsionar o throughput, através do desenvolvimento de soluções de escalabilidade Layer 2 (como Lightning Network e canais de estado), de tecnologias de interoperabilidade entre blockchains e de novos mecanismos de consenso, mantendo os princípios de segurança e descentralização, o que será decisivo para o avanço sustentado do setor.
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