Um detalhe anômalo apareceu após uma alta de uma hora
——o que realmente define o rumo do ouro, das bolsas dos EUA e do dólar já não é a inflação de junho, mas sim o preço do petróleo em julho.
O desempenho dos mercados globais de quarta-feira foi, em linhas gerais, uma repetição do de terça:
- o índice do dólar caiu pelo segundo pregão consecutivo, com uma queda próxima à do pregão anterior;
- ouro, títulos do Tesouro dos EUA e ações dos EUA ainda registraram pequenas altas;
- o preço do petróleo subiu por três pregões seguidos, com o WTI (petróleo dos EUA) ultrapassando US$ 80.
Primeiro, o PPI dos EUA de junho divulgado ontem à noite voltou a trazer uma surpresa — uma surpresa para baixo: queda de 0,3% no mês (enquanto o mercado esperava estabilidade), e a taxa anual desacelerou para 5,5%. Após a divulgação do dado, o mercado passou a falar em “pico da inflação nos EUA”, e a probabilidade de aumento de juros em julho caiu de cerca de 50% da semana passada para algo em torno de 10%. Mas, com um ganho tão grande para o mercado, o esperado seria uma alta forte; no entanto, ouro e ações dos EUA apenas subiram levemente, especialmente o ouro, que fechou com alta inferior a US$ 10.
O comportamento do ouro chama atenção e é bem representativo:
na terça-feira, após a divulgação do CPI, ele subiu por três horas consecutivas e depois devolveu parte do ganho;
na quarta-feira, após o PPI, ele subiu apenas por uma hora e então caiu por quatro horas seguidas.
A magnitude da alta não combina com a intensidade do “benefício” trazido pela notícia, indicando que o mercado já não está negociando apenas os dados de junho, mas começando a reavaliar novos possíveis fatores de julho.
A explicação mais razoável é esta — a boa notícia parece estar um pouco atrasada.
Por um lado, são dados de junho; em julho, o conflito no Oriente Médio voltou a se intensificar; e o petróleo vem subindo fortemente novamente nesta semana.
Por outro lado, ontem à noite, Waller continuou a enfatizar que “esses dados de inflação não são medidas perfeitas” e que “não há tolerância para uma inflação persistentemente alta”.
Segundo, no começo desta semana, os três indicadores que acompanhamos perderam níveis — mas em direções diferentes. O índice do dólar caiu abaixo de 101, o rendimento do Treasury de 10 anos caiu abaixo de 4,60%, e o petróleo dos EUA fez uma “ruptura altista”, superando US$ 80. O mercado de títulos (Treasury de 10 anos) e o de câmbio (dólar) celebraram “a inflação seguindo em queda”, mas o mercado de commodities (petróleo) está alertando que “a inflação pode ressurgir” — uma ruptura que sugere algo como uma “coexistência impossível a longo prazo”.
O que estamos vendo é exatamente o mercado escolhendo entre “se acomodar no presente (dados de junho)” e “manter-se em alerta para os riscos do futuro (geopolítica e petróleo em julho)”, nessa indecisão.
Aviso de risco: este artigo é apenas uma análise com base em informações públicas e dados de mercado, para fins de compartilhamento de informações, e não constitui qualquer recomendação de investimento ou promessa de retorno. Os mercados financeiros têm risco, e qualquer decisão de investimento deve levar em conta as próprias circunstâncias e ser julgada de forma independente.