Dois lados do estreito, uma realidade
Os preços do petróleo sofreram uma forte queda quando sinais de um acordo entre Washington e Teerã sobre o Estreito de Ormuz chegaram ao mercado. O Brent perdeu 7,4% ontem. No entanto, uma negativa do Irã no mesmo dia mostrou que essa história ainda não terminou.
Há duas narrativas diferentes. De um lado, o secretário do Tesouro dos EUA diz que “o acordo está fechado”; do outro, Teerã diz que “ainda não acabou”. O mercado, porém, preferiu acreditar em apenas um dos lados.
Observando o movimento do preço do petróleo no último mês, a fragilidade da situação fica evidente. O Brent, que estava em US$ 71 no início de julho, testou US$ 102 no meio do mês. Atualmente, oscila em torno de US$ 84. Essa flutuação, superior a 40%, não pode ser explicada por um equilíbrio normal entre oferta e demanda. Trata-se da precificação de um prêmio de risco e, depois, de sua retração subsequente.
Os mercados agora estão acostumados a reagir instantaneamente ao fluxo de notícias. Enquanto os preços do petróleo caíram diante da possibilidade de abertura do Estreito de Ormuz, a postura de um participante mais influente é diferente. O ouro continua se mantendo no nível de US$ 4.040. Os operadores de petróleo são investidores de curto prazo, observando se o navio-tanque passará pelo estreito. Os compradores de ouro, por outro lado, são investidores de longo prazo, observando a direção do sistema. O fato de esses dois ativos estarem olhando para direções diferentes simultaneamente sugere que há uma precificação incorreta em algum lugar.
O conteúdo do acordo também muda a situação. A oferta do Irã baseia-se em controlar totalmente uma das duas rotas pelo estreito e parte da outra. Teerã está negociando controle, não dinheiro. Negociações de preço podem ser concluídas em um dia. Negociações de soberania, porém, podem durar meses. As condições divulgadas anteriormente por Bessent também são claras: a entrega de urânio enriquecido e o abandono das armas nucleares. Não se pode esperar que esses pontos sejam assinados amanhã.
Também há desenvolvimentos no lado da oferta. A OPEC+ aumentou a cota diária em 188.000 barris a partir de agosto. Este é o quinto aumento nos últimos cinco meses. A diplomacia não é o único fator pressionando os preços do petróleo para baixo; a expectativa de um excedente de oferta também está em jogo.
Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, US$ 84 pode parecer um preço barato. No entanto, se o estreito abrir, os níveis de US$ 70 voltarão a ser discutidos. Cada negativa fará o preço disparar. Essa incerteza cria uma onda mais perigosa na direção do conflito. Cada alta nos preços do petróleo alimenta as expectativas de inflação, e cada queda alimenta os temores de recessão.
Cada movimento que brinca com fogo no Oriente Médio afeta diretamente o pulso da economia global. Enquanto as negociações continuarem entre os dois lados do estreito, os mercados continuarão a oscilar.
Este artigo não constitui aconselhamento de investimento.
#DramaticOilPriceVolatility #𝐌𝐀𝐑𝐊𝐄𝐓𝐒 $XTIUSD
$XBRUSD
$CL