De que forma as empresas de cripto que já atuam no mercado podem migrar das regras de 2022 de Mônaco para a nova estrutura?

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CriptoDeFiMacro
Última atualização 18/08/2026 10:50:57
Tempo de leitura: 5m
Empresas de cripto que já atuam em Mônaco devem encarar a transição da lei de cripto de Mônaco de 2022 para um novo regime como um processo de renovação de permissões, e não como uma simples continuidade do status atual. Caso Mônaco substitua ou reestruture significativamente a estrutura vigente, empresas que lidam com criptoativos ou outros ativos digitais podem ter de reclassificar suas atividades conforme novas categorias de serviço, reavaliar quais delas exigem autorização, reestruturar aspectos de sua governança e controles de AML, formalizar salvaguardas operacionais e de custódia, e possivelmente submeter uma nova ou ampliada solicitação regulatória.

Esta é a principal preocupação para exchanges, custodiante, gestores de portfólio e demais CASPs ou empresas financeiras ativas em Mônaco. Este artigo detalha o que a lei de 2022 ainda regula, como a substituição planejada — chamada Projeto de Lei nº 1131 — pode aproximar o licenciamento e a supervisão de um modelo alinhado ao MiCA, e o que isso significa, na prática, para as exigências transitórias, aprimoramento de AML/CFT, proteção de ativos, fiscalização de diferentes órgãos, prestação de empresas estrangeiras e impacto de custos e modelo de negócios para quem segue atuando no Principado.

Principais pontos

  • O regime legal de julho de 2022 ainda serve de referência para atividades com cripto e ativos digitais em Mônaco.

  • A migração para normas mais rigorosas sobre cripto tende a exigir que operadores reavaliem seu escopo de autorização, em vez de contar que antigos registros ou aprovações valerão automaticamente.

  • Governança, controles AML/CFT, proteção de ativos, cibersegurança e resiliência de operações devem ganhar peso nas tarefas de adaptação ao modelo guiado pelo MiCA.

  • Sob observação reforçada do GAFI desde junho de 2024, Mônaco enfrenta pressão regulatória extra para elevar a efetividade de AML/CFT. Até junho de 2026, a jurisdição segue monitorada.

  • Não existe prazo de grandfathering confirmado em Mônaco até publicação da nova legislação e regulamentação.

Key Takeaways

Como empresas cripto já existentes podem migrar das regras de 2022 para o novo regime de Mônaco?

Para provedores estabelecidos, o caminho mais prudente na transição regulatória cripto em Mônaco é tratar o processo como uma reautorização.

Primeiro, a empresa deve mapear cada atividade prestada em comparação às categorias do novo marco. Em seguida, identificar quais serviços exigem nova autorização, quem supervisiona, e se a estrutura societária, gestão e compliance já atendem ao padrão futuro.

Essa análise, na prática, modifica o modelo operacional.

Uma empresa que se apresenta como plataforma digital, por exemplo, pode operar custódia, exchange, execução de ordens, gestão de portfólio ou transferência de ordens — atividades que, sob normas mais detalhadas, deverão aparecer explicitamente na autorização da empresa.

Esse modelo já existe na regulação europeia. Pelo MiCA, autorizações são ligadas a serviços cripto específicos, sem permissão generalizada. A ESMA aplica isso: o licenciamento se torna segmentado por serviço, exigindo governança e fiscalização específicas.

Mônaco parece trilhar caminho similar: o Projeto de Lei nº 1131 busca alinhar seu regime de ativos digitais às regras do MiCA e aos padrões do GAFI, embora não faça parte da UE — toda regra precisa ser incorporada ao direito local.

O alinhamento entre os sistemas é importante, pois o alinhamento de Mônaco ao MiCA e ao GAFI faz parte de um ambiente regulatório amplo, com preocupação maior que o simples vocabulário.

Criptoativos e ativos digitais sob a lei cripto de Mônaco de 2022

A Lei nº 1.528 trouxe novas definições para a legislação digital em Mônaco, incluindo ativo digital (representação digital de valor, propriedade ou direito patrimonial) e criptoativo (abrangendo ativos digitais e tokens financeiros).

Essas definições pesam porque, sob novas normas, o catálogo de produtos de uma empresa pode não se encaixar facilmente nas antigas categorias regulatórias.

Por exemplo, um prestador pode unir custódia de tokens, exchange cripto-cripto e investimentos geridos em uma interface, além de serviços variados. A autoridade pode tratar cada uma dessas funções como área de controle própria, exigindo requisitos legais distintos.

Por isso, a revisão de transição precisa começar nos produtos, não apenas nas licenças.

Para cada serviço:

  1. Que ativo está envolvido?
  2. Quais funções amparadas pelo novo marco a empresa realiza para o cliente?
  3. Detém ou gerencia ativos de clientes?
  4. Transmite, executa ou intermedia ordens?
  5. Atua com discricionariedade de investimento?
  6. A operação se enquadra no novo escopo autorizado?

Essa análise ajuda a diferenciar a transição de outras discussões como o funcionamento do licenciamento cripto em Mônaco. Quem já atua parte de estruturas herdadas, enquanto candidatos novos partem do zero.

Autorização prévia pode substituir antigos direitos adquiridos (“grandfathering”)

O maior equívoco do provedor seria achar que operar segundo as antigas regras cripto gera direito duradouro sob a lei nova.

A adequação pode envolver: reconhecimento temporário de registros prévios, necessidade de recadastro em prazo fixo, conversão de licenças mediante condições ou permanência apenas durante análise de nova solicitação.

Sem regras transitórias oficiais, nenhum desses cenários está confirmado.

No caso europeu, o MiCA admitiu continuidade de empresas credenciadas antes de 30 de dezembro de 2024 — mas a ESMA deixou claro que isso não representava autorização MiCA plena, e a transição não iria além de 1º de julho de 2026.

A diferença é vital para Mônaco: licença provisória não é o mesmo que autorização formal sob o novo marco.

Empresas devem preparar o dossiê de autorização antes mesmo de saber se o grandfathering será amplo, limitado ou inexistente.

Um regime alinhado ao MiCA pode exigir nova governança

O texto sugerido pelo Projeto de Lei nº 1131 propõe abandonar simples registros societários por um sistema alinhado ao MiCA, com novas exigências para licenciamento.

No modelo MiCA, importa quem administra, a capacidade do time gestor, o gerenciamento de risco e a comprovação de governança corporativa, conduta profissional, proteção ao cliente e salvaguardas prudenciais. CASPs europeus operam dentro de escopos e obrigações de governança definidos.

A transição, em Mônaco, pode requerer análise de:

  • responsabilidades do conselho/diretoria;
  • autonomia do compliance;
  • gestão de riscos;
  • controle de conflitos de interesses;
  • registros e arquivos;
  • contratos de terceirização;
  • planos de resposta a incidentes;
  • contingência operacional;
  • gestão de reclamações;
  • segurança de ativos e controles financeiros;
  • governança de cibersegurança e controles operacionais.

Muitos controles já existem, mas o desafio é evidenciar que atendem ao novo padrão, com documentação robusta.

A diferença entre regulação ampla e os desafios práticos da transição fica clara ao se avaliar o arcabouço cripto total de Mônaco: adequação significa mostrar que métodos práticos sobrevivem à nova lei, incluindo eventuais normas técnicas detalhadas.

Adequação pode envolver múltiplos órgãos

O modelo de autorização poderá envolver mais de uma autoridade.

A CCAF supervisiona atividades financeiras em Mônaco — papel similar às autoridades de mercados que fiscalizam criptoativos na Europa pelo MiCA. Já exige autorização prévia e aprova mudanças importantes em capital, objeto social ou administração.

Se a regulação cripto passar formalmente ao escopo da CCAF, espera-se que a autoridade avalie a estrutura operacional como um todo, não só a solução cripto.

A averiguação pode envolver áreas de segurança financeira, digital, AML e, conforme o arcabouço final, pontos de contato bancários. O processo pode passar de análise setorial à avaliação multidisciplinar, assim como ocorreu na UE após o MiCA, que gerou 300 registros na ESMA até julho de 2025.

Na prática, a resposta para todos os órgãos deve ser sempre clara: Como o serviço funciona? Quem controla? Quais riscos existem? Como a conformidade é comprovada e sustentada?

O eixo AML/CFT provavelmente será crítico na transição

A reforma em Mônaco está conectada à pauta de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo, conforme as exigências globais de AML/CFT ficam mais rígidas.

O GAFI colocou Mônaco sob monitoramento reforçado em junho de 2024, enfatizando sanções, comunicação de operações suspeitas, efetividade judicial e apreensão de bens.

O Principado continuou sob escrutínio do GAFI em junho de 2026. A reforma busca sanar deficiências estratégicas, melhorar a classificação do país e viabilizar sua saída da lista cinza.

No dia a dia, isso exige elevar os controles de lavagem de dinheiro, implementando medidas além do mínimo legal.

CASPs precisam revisar:

  • cadastro e verificação de clientes;
  • checagem do beneficiário final;
  • due diligence reforçada para jurisdições de alto risco;
  • monitoramento transacional;
  • rastreamento de carteiras;
  • filtros de sanções;
  • pontuação de risco de clientes;
  • reporte de operações suspeitas;
  • verificação de origem de recursos;
  • retenção de registros;
  • dimensionamento do time de compliance.

A transição será mais complexa para empresas que cresceram sob processos simplificados e só reforçaram controles com aumento de volume, especialmente considerando a expectativa da comissão europeia e outros órgãos para negócios com países de risco.

Um regime de licenciamento maduro prevê controles anteriores à autorização, não ajustes corretivos após incidentes.

Salvaguarda de ativos pode impactar operações dárias

O aspecto de custódia destaca diferenças de compliance especialmente quando custódia de cripto exige autorização específica.

A empresa deve comprovar segregação, controle de chaves, reconciliação, autorização de saque, resposta a incidentes e resiliência perante falência ou interrupção, inclusive em caso de terceirização da infraestrutura de custódia.

Não basta ter políticas — é preciso governança robusta para ativos virtuais.

Exemplo: se uma exchange guarda BTC de clientes, mas opera carteiras próprias, o regulador pode exigir prova de segregação, evitar permissões concentradas de saque e garantir registros auditáveis.

Na prática, a experiência da Gate Technology Ltd na Europa mostra como, sob o MiCA, as funções — custódia, operação de trading, exchange cripto-fiat, execução e transferências — são licenciadas de forma separada.

A interface mostra como o produto opera — o mercado spot BTC/USDT em Gate.com — mas a fiscalização recai sobre a entidade legal, permissões e controles.

CASP já autorizado em Mônaco: roteiro de transição

O CASP de Mônaco pode (e deve) antecipar o planejamento, tratando o processo como um roadmap de adequação para participantes de mercado já sob regras existentes.

Passo a passo sugerido:

  1. Mapeamento dos serviços. Relacione cada produto e jornada à respectiva atividade regulada.
  2. Comparação de permissões. Reveja quais atividades exigirão autorização ampliada segundo o novo escopo.
  3. Análise de lacunas de governança. Avalie supervisão, idoneidade da gestão, compliance, conflitos e terceirizações.
  4. Revisão de AML/CFT. Teste o KYC, filtros de sanções, monitoramentos e reporte de atividades suspeitas nos padrões mais exigentes.
  5. Documentação de salvaguarda e controles tecnológicos. Prepare documentação de custódia, arquitetura de carteiras, cibersegurança e resposta a incidentes pronta para fiscalização.
  6. Preparação do pacote de evidências. Políticas, procedimentos, responsáveis, sistemas, avaliações de riscos e provas de controle operacional devem estar prontos para requerer autorização pela CCAF.
  7. Acompanhamento do prazo final. Somente a lei promulgada, normas secundárias e o texto aprovado pelo Conselho Nacional definem regras de grandfathering, prazos e a legalidade de operar sem nova autorização.

O custo inicial é maior, mas evita riscos de adaptação às pressas.

Empresas estrangeiras: desafios de transição distintos

Empresas sem base local não devem esperar que um regime transitório elimine exigências de presença física — ou dê as mesmas proteções das empresas já instaladas em Mônaco.

Pelas regras atuais, a CCAF limita o marketing de serviços financeiros a residentes privados e exige presença local para quem pretende atuar, com poucas exceções. Marketing remoto não solicitado também é restrito por lei.

Futuro arcabouço pode seguir linha parecida.

Isso impacta exchanges que usam sites, apps, afiliados ou anúncios direcionados. Mesmos sem escritório físico, há exposição regulatória se os clientes atingidos residirem em Mônaco.

E se não houver grandfathering?

Um prazo de transição curto, sem reconhecimento amplo de permissões, impõe três opções: buscar autorização antes do prazo, restringir serviços, ou suspender atividades reguladas até o deferimento.

O planejamento precisa antever este cenário.

Planos para comunicação, onboarding, ordens pendentes, custódia e saques são obrigatórios. Encerrar abruptamente serviços regulados pode criar riscos operacionais sérios.

É por isso que o prazo de adequação cripto em Mônaco será relevante para toda a empresa, não apenas o setor jurídico.

Custos de compliance devem aumentar

Novos padrões elevam o custo fixo das operações.

Será necessário mais equipe de compliance, pareceres jurídicos, teste de cibersegurança, auditoria e governança formal. Pequenas empresas sentirão esse impacto mais fortemente.

O rollout do MiCA, por exemplo, foi seletivo: antes da fase plena, milhares de negócios atuavam com registros nacionais; em maio de 2026, só 194 estavam licenciadas como CASP MiCA. A Gate, na Europa, adaptou seu escopo ao regime MiCA antes do fim da transição, refletindo o novo rigor europeu.

Mônaco não repetirá, necessariamente, a experiência europeia, mas o rumo é semelhante: o compliance se torna operativo e contínuo.

Conclusão

A mudança do regime cripto de Mônaco não é simples: não basta trocar uma licença pela outra.

As empresas precisarão revisar seu portfólio, aumentar padrões de governança, reforçar AML/CFT, provar proteção custodial e estar prontas para supervisão aprofundada. O novo arcabouço pode prever grandfathering ou janelas de reautorização, mas ninguém deve contar com prazos até publicação da lei.

Para quem já está ativo, o melhor caminho é preparar-se para perseguir a nova autorização — antes que o cronômetro comece.

A tendência regulatória de Mônaco, inspirada pelo MiCA e pelo GAFI, exige mais responsabilidade, controles robustos, limites claros para os serviços e accountability. Custos sobem, mas todo provedor precisará responder: o negócio comprova que se enquadra nos padrões futuros?

Perguntas frequentes

A lei cripto de 2022 ainda vale?

Sim, a Lei nº 1.528 de 7 de julho de 2022 segue em vigor, de acordo com o Legimonaco, até 26 de julho de 2026. Futuros regulamentos podem modificar parte do regime.

Empresas cripto de Mônaco receberão automaticamente nova licença?

Não. Conversão automática, grandfathering ou reautorização dependem das regras transitórias aprovadas por Mônaco e pelo Conselho Nacional.

Existe prazo final de compliance cripto definido?

Não há prazo definitivo publicado até 18 de agosto de 2026. Qualquer data só será válida após legislação e regulamentações secundárias, conforme aprovação no Conselho Nacional.

Por que o GAFI pesa na regulação cripto de Mônaco?

Mônaco entrou em observação reforçada do GAFI em junho de 2024 e permaneceu até junho de 2026. O plano de ação busca tornar o AML/CFT de Mônaco mais efetivo, tornando a pauta central na reforma cripto.

Empresas precisarão de autorização da CCAF?

Conforme o texto final e os serviços prestados, sim. A CCAF já fiscaliza finanças em Mônaco, aprova atividades e mudanças relevantes, pode autorizar atividades com ativos digitais e exerce supervisão contínua, além de poder sancionar.

Mônaco é obrigado a copiar o MiCA?

Não. Mônaco não integra a UE e define seu próprio regime. O modelo MiCA é apenas referência: pode ser incorporado para alinhamento, mas só por lei nacional.

Isenção de responsabilidade: Este conteúdo é apenas educativo, não constitui aconselhamento legal, regulatório, de investimento ou compliance. A regulação cripto evolui rápido; consulte fontes oficiais e assessores jurídicos qualificados em Mônaco antes de qualquer medida regulatória.

Autor:  Jared
Isenção de responsabilidade

* As informações não pretendem ser e não constituem aconselhamento financeiro ou qualquer outra recomendação de qualquer tipo oferecida ou endossada pela Gate.

* Este artigo não pode ser reproduzido, transmitido ou copiado sem referência à Gate. A contravenção é uma violação da Lei de Direitos Autorais e pode estar sujeita a ação legal.

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