Zhang Mengzhu
No dia em que voltei a Hangzhou, o tempo estava ótimo.
Saí da estação, mas não fui para casa. Fui diretamente para junto do Lago Oeste. Caminhei ao longo do lago durante muito tempo e, por fim, encontrei um lugar pouco frequentado onde me sentei. A superfície do lago estava muito tranquila; de vez em quando, o vento passava e fazia surgir uma série de pequenas ondulações. Ao longe, alguém remava um barco e ouviam-se vagamente algumas gargalhadas.
Fiquei ali sentado, a pensar no que tinha acontecido ao longo destes anos.
O pequeno banco custou-me vinte yuans quando comecei a negociar. Encontrei-o num mercado de velharias em Hangzhou. Era de plástico, verde, e rangia sempre que alguém se sentava nele. Todos os dias me sentava naquele banco a acompanhar o mercado, durante sete ou oito horas seguidas. No verão, ficava com as nádegas completamente transpiradas; no inverno, sentia o frio do plástico mesmo através das calças. Mas aquele banco acompanhou-me durante muito tempo, tanto que já nem me lembro de alguma vez ter usado outra cadeira.
Aquele banco testemunhou o primeiro grande lucro que obtive, assim como as perdas que tive. Acompanhou-me quando me mudei de um quarto arrendado para uma casa nova, e quando passei de uma divisão para duas. Mais tarde, deixei-o num canto do escritório. De vez em quando, passava por ele e olhava-o, mas nunca mais me sentei nele.
Nessa noite, tirei-o do escritório, fui até ao Lago Oeste e atirei-o com força para dentro de água. Com um som surdo, afundou-se, sem sequer salpicar muita água.
Depois de o atirar, fiquei algum tempo de pé junto ao lago. De repente, lembrei-me de que, muitos anos antes, quando tinha acabado de chegar a Hangzhou, também me sentava sozinho junto ao Lago Oeste. Nessa altura, não tinha nada. Tinha apenas alguns milhares de yuans na conta e sentia-me completamente perdido quanto ao futuro. Mas não tinha medo, porque, se perdesse, perderia apenas isso; afinal, não tinha nada a perder. Mais tarde, quando comecei a ganhar dinheiro, foi precisamente nessa altura que comecei a ter medo — medo de perder, medo das retrações, medo de ser ultrapassado, medo de voltar à estaca zero de um dia para o outro. Esse medo torturava-me mais do que as próprias perdas.
Nessa noite, depois de voltar ao lugar onde estava hospedado, escrevi uma frase no caderno:
"As linhas K não têm bem nem mal; o bem e o mal estão em vê-las como aparência ou como mente."
Só compreendi esta frase depois de perder muito dinheiro.
Quando comecei a negociar, via as linhas K como uma "aparência": subir era bom, descer era mau; o vermelho trazia alegria, o verde preocupação. Todos os dias, as minhas emoções eram completamente conduzidas por aquelas poucas barras: ficava feliz quando subiam e abatido quando desciam. O meu estado de espírito subia e descia como uma montanha-russa. Só mais tarde percebi que as linhas K, por si mesmas, não são nada; são apenas a trajetória dos preços. Não têm bem nem mal, não têm certo nem errado. Limitam-se a registar fielmente cada respiração do mercado. Subir não é necessariamente bom, e descer não é necessariamente mau. O essencial é saber com que olhar as observamos.
Quando as vês como uma "aparência", o que vês são subidas e descidas, lucros e perdas, a variação do saldo da conta; quando as vês como "mente", o que vês são as emoções do mercado, o fluxo de capitais e os altos e baixos da natureza humana. A primeira perspetiva transforma-te num escravo das linhas K; a segunda permite-te tornar num intérprete das linhas K. A diferença entre as duas determina se és conduzido pelo mercado ou se consegues conduzir o mercado.
No fim, negociar não é realmente uma questão de técnica. A técnica é algo que qualquer pessoa consegue aprender ao fim de um ano ou ano e meio. Mas conseguirás transformar a técnica num instinto? Conseguirás manter a racionalidade quando as emoções estiverem ao rubro? Conseguirás continuar a confiar no teu sistema depois de uma série de perdas? É isto que realmente distingue os especialistas das pessoas comuns.
Ao deitar fora aquele banco, também deitei fora a versão de mim próprio que, sentado nele, vivia angustiado entre ganhos e perdas. A partir desse dia, deixei de sentir uma alegria ou uma tristeza extremas por causa das subidas e descidas das linhas K. Se subia, mantinha a posição; se descia, assumia a perda. Tudo era feito de acordo com as regras. As oscilações emocionais diminuíram e, pelo contrário, a conta começou a crescer de forma estável.
Na verdade, a vida também é assim. Quando te preocupas demasiado com ganhos e perdas, acabas por não conseguir agarrar nada; quando deixas de te preocupar, tudo acaba por permanecer firmemente nas tuas mãos. O mesmo se aplica à negociação e à vida.
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