#BrentCrudeDrops3% #QuedaDoBrent3%
O BRENT ACABOU DE SOFRER UM FORTE IMPACTO — MAS A QUESTÃO MAIS IMPORTANTE É O QUE ESTÁ A ACONTECER DEBAIXO DA SUPERFÍCIE.
O petróleo bruto Brent caiu cerca de 3% na última sessão, descendo para perto dos 105 dólares, depois de ter negociado recentemente a níveis significativamente mais elevados. O movimento ocorreu quando os mercados reagiram a sinais de que algumas preocupações relacionadas com interrupções no fornecimento poderiam aliviar-se, enquanto um dólar norte-americano mais forte e o sinal de uma política agressiva por parte da Reserva Federal exerceram pressão adicional sobre as matérias-primas.
Para mim, isto é muito mais interessante do que simplesmente dizer:
“O petróleo caiu 3%.”
A verdadeira questão é:
ESTAMOS PERANTE UM MOVIMENTO NORMAL DE REALIZAÇÃO DE LUCROS OU O MERCADO ESTÁ A COMEÇAR A REFLETIR UMA MELHORIA SIGNIFICATIVA NAS CONDIÇÕES DE OFERTA?
Essa distinção é importante.
O petróleo tem sido negociado com um prémio geopolítico invulgarmente elevado. As preocupações em torno das rotas de abastecimento do Médio Oriente, das perturbações nas infraestruturas e dos riscos no transporte marítimo fizeram subir acentuadamente os preços do petróleo bruto.
Agora, o mercado está a receber sinais de que poderá ser possível fazer chegar mais petróleo bruto saudita aos compradores globais através de rotas alternativas, enquanto decorrem esforços para restaurar a capacidade danificada dos oleodutos. A Reuters noticiou que a Arábia Saudita tem utilizado rotas adicionais através do porto de Sohar, em Omã, para compensar os fluxos interrompidos.
Isto altera a narrativa imediata sobre a oferta.
Mas não elimina o risco geopolítico subjacente.
A ZONA DOS 105 DÓLARES É AGORA IMPORTANTE
O Brent está a negociar em torno da região dos 105 dólares após a queda recente. Os dados atuais do mercado colocam o Brent perto dos 105 dólares, embora os preços intradiários continuem voláteis.
Depois de um movimento tão acentuado, eu observaria se os vendedores conseguem manter o controlo abaixo dos máximos recentes.
Se o petróleo bruto estabilizar em torno dos níveis atuais e os compradores regressarem, a queda poderá representar simplesmente uma correção após uma subida agressiva.
Mas se o Brent continuar a descer enquanto as preocupações com a oferta diminuem, o mercado poderá começar a retirar uma parte maior do prémio geopolítico que fez subir os preços.
Isso seria um desenvolvimento muito mais significativo.
POR QUE RAZÃO O PETRÓLEO CAIU?
Há vários fatores a atuar em conjunto.
1. AS PREOCUPAÇÕES COM A OFERTA ESTÃO A DIMINUIR
A Arábia Saudita está a trabalhar para redirecionar o petróleo bruto através de canais alternativos, enquanto as infraestruturas danificadas estão a ser reparadas.
Isto dá aos investidores alguma confiança de que a oferta perdida poderá não permanecer indisponível indefinidamente.
2. A RESERVA FEDERAL ESTÁ A ADOTAR UMA POSTURA MAIS AGRESSIVA
A Reserva Federal aumentou as taxas em 25 pontos-base e indicou que poderá continuar a considerar outro aumento.
A consequente subida das yields dos Treasuries de curto prazo e o fortalecimento do dólar podem exercer pressão adicional sobre as matérias-primas cotadas em dólares norte-americanos.
3. OS DADOS SOBRE AS EXISTÊNCIAS ESTÃO A SER ACOMPANHADOS DE PERTO
As existências de petróleo bruto dos EUA diminuíram cerca de 640 000 barris, mas essa descida foi inferior à redução de aproximadamente 1,62 milhões de barris que os analistas esperavam. O contraste com uma estimativa anterior da API, que apontava para um aumento muito mais significativo, também acrescentou incerteza à perspetiva sobre a oferta.
É por isso que o mercado petrolífero está a reagir tão rapidamente a cada nova informação.
MAS EU NÃO CLASSIFICARIA ISTO COMO UM COLAPSO
Uma queda de 3% parece dramática, especialmente depois da subida recente do petróleo.
Mas o Brent continua acima dos 100 dólares.
Isso é importante.
O mercado continua a refletir riscos geopolíticos e de oferta substanciais.
Por isso, a queda recente parece mais uma correção acentuada a partir de níveis elevados do que uma prova de que toda a narrativa de alta do petróleo desapareceu.
A situação pode mudar rapidamente.
Uma nova interrupção numa importante rota de abastecimento poderia fazer o petróleo bruto subir novamente.
Uma restauração da produção e do transporte mais rápida do que o esperado poderia ter o efeito oposto.
Isso faz do petróleo um dos mercados macroeconómicos mais sensíveis a acompanhar neste momento.
O QUE SIGNIFICA ISTO PARA A INFLAÇÃO?
É aqui que o petróleo se torna particularmente importante para o mercado financeiro em geral.
Os preços da energia influenciam as expectativas de inflação.
Se o petróleo bruto se mantiver elevado, a pressão inflacionista poderá continuar mais forte.
Isso pode dificultar a transição dos bancos centrais para uma política monetária mais acomodatícia.
Por outro lado, se os preços do petróleo continuarem a cair, alguma pressão inflacionista poderá diminuir gradualmente.
E isso poderá acabar por influenciar as expectativas relativamente a futuras decisões sobre as taxas de juro.
Assim, um movimento no Brent não é apenas uma questão do mercado energético.
Pode afetar:
Inflação → Taxas de juro → Obrigações → Dólar → Ações → Cripto
É por isso que acompanho o gráfico do petróleo juntamente com o BTC e os principais mercados macroeconómicos.
E O BITCOIN?
É aqui que as coisas se tornam particularmente interessantes.
O Bitcoin não está diretamente ligado ao petróleo bruto, mas ambos os ativos são influenciados pelo contexto macroeconómico mais amplo.
Se a queda dos preços do petróleo reduzir as expectativas de inflação, isso poderá eventualmente apoiar os ativos de risco, caso contribua para uma perspetiva de política monetária menos restritiva.
Mas, neste momento, a posição da Reserva Federal continua a ser importante.
Um dólar mais forte e yields mais elevadas podem exercer pressão sobre os ativos de risco, mesmo que o próprio petróleo esteja a cair.
Por isso, eu não assumiria automaticamente:
Petróleo em baixa = BTC em alta.
A relação é muito mais complexa.
Para os investidores de Bitcoin, eu observaria se o BTC consegue manter a sua própria estrutura técnica enquanto o petróleo, as yields dos Treasuries e o dólar se movimentam em conjunto.
O OURO TAMBÉM MERECE ATENÇÃO
O ouro e o petróleo podem reagir de forma diferente ao mesmo evento macroeconómico.
O petróleo é fortemente influenciado pela oferta e pela procura físicas.
O ouro é mais sensível às yields reais, ao dólar, às expectativas de inflação, à procura dos bancos centrais e ao risco geopolítico.
Assim, se as preocupações geopolíticas continuarem elevadas enquanto o petróleo cai porque as interrupções da oferta parecem controláveis, o ouro poderá continuar a comportar-se de forma diferente.
Essa divergência pode fornecer informações úteis sobre a forma como os mercados estão a interpretar o risco subjacente.
A GRANDE QUESTÃO PARA OS INVESTIDORES DE PETRÓLEO
Para mim, a questão principal não é saber se o Brent caiu 3%.
É:
CONSEGUIRÃO OS VENDEDORES TRANSFORMAR ESTA CORREÇÃO NUMA NOVA TENDÊNCIA DE DESCIDA?
Para responder a essa questão, eu acompanharia:
• A reação do Brent em torno da zona dos 105 dólares
• Se os 100 dólares continuam a ser um suporte psicológico importante
• Atualizações sobre a produção e as exportações da Arábia Saudita
• Os progressos na restauração dos oleodutos
• A atividade de transporte marítimo no Estreito de Ormuz
• Os dados sobre as existências de petróleo bruto dos EUA
• O índice do dólar
• As yields dos Treasuries
• As expectativas relativas à procura global
Se as condições de oferta continuarem a melhorar e o petróleo bruto não conseguir recuperar os máximos anteriores, o mercado poderá continuar a retirar parte do prémio geopolítico.
No entanto, se ocorrer outra grande interrupção, toda a configuração poderá mudar rapidamente.
A MINHA ABORDAGEM AO MERCADO
Eu não seguiria nenhuma das direções após um movimento acentuado de 3%.
O petróleo está extremamente sensível às notícias neste momento.
Em vez disso, esperaria que o preço estabelecesse uma estrutura mais clara.
Se o Brent encontrar suporte e começar a formar mínimos mais elevados, os compradores poderão estar a tentar estabilizar o mercado.
Se o suporte for quebrado com um volume forte e as perspetivas para a oferta continuarem a melhorar, os vendedores poderão ganhar um impulso adicional.
A parte importante é a confirmação.
A subida recente recordou-nos a rapidez com que o risco geopolítico pode fazer subir o petróleo bruto.
Esta última queda recorda-nos a rapidez com que esses prémios também podem desaparecer quando os investidores recebem provas de que as interrupções da oferta poderão ser contidas.
Essa é a verdadeira lição.
O PETRÓLEO NÃO ESTÁ APENAS A NEGOCIAR COM BASE NOS FUNDAMENTOS NESTE MOMENTO.
ESTÁ A NEGOCIAR COM BASE NAS EXPECTATIVAS.
Expectativas sobre a oferta.
Expectativas sobre a geopolítica.
Expectativas sobre a inflação.
Expectativas sobre as taxas de juro.
E expectativas sobre a procura global.
A queda de 3% do Brent é, por isso, outro sinal macroeconómico importante.
Por agora, estou a observar se a região dos 105 dólares se torna uma zona de estabilização ou simplesmente uma paragem no caminho para níveis mais baixos.
De qualquer forma, a volatilidade do petróleo ainda não terminou.
E, para os investidores de criptomoedas, acompanhar o petróleo bruto, o dólar e as yields dos Treasuries poderá ser tão importante como observar o gráfico do BTC.
SIGA O CONTEXTO MACROECONÓMICO.
OBSERVE A LIQUIDEZ.
RESPEITE A VOLATILIDADE.
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