A análise técnica consiste num método analítico que visa prever tendências e variações futuras, analisando tendências de preços passadas e dados de negociação, procurando identificar padrões de variação de preços no mercado. Em contraste com a análise fundamental, que avalia os preços de mercado sob múltiplos ângulos, a análise técnica é mais direta, pois foca-se na ação do preço e em diversos indicadores calculados a partir de dados extensos de transações.
A análise técnica tem raízes na observação dos mercados financeiros ao longo de vários séculos. No Japão, a análise técnica já era utilizada no século XVIII. Homma Munehisa, comerciante de arroz japonês, registava diariamente o preço de abertura, máximo, mínimo e fecho do arroz, criando o gráfico de barras amplamente utilizado em mercados como ações, futuros e criptomoedas. Mais tarde, Charles Dow apresentou e desenvolveu uma teoria mais sistemática, a célebre Teoria de Dow, no século XIX. A Teoria de Dow é considerada a base da análise técnica, projetando tendências futuras de uma ação a partir do seu histórico de preços e volumes de negociação. Atualmente, a análise técnica é apresentada sobretudo em gráficos, tendo evoluído para um sistema sofisticado com centenas de padrões e indicadores distintos.
Três pressupostos fundamentais:
1.O preço reflete sempre as informações e notícias mais recentes do mercado. O preço funciona como um espelho que mostra, em tempo real, o impacto das notícias sobre os movimentos do preço.
2.Padrões e tendências identificáveis podem surgir mesmo em movimentos de preços aparentemente aleatórios. Os preços tendem a seguir tendências passadas e podem continuar nessa direção.
3.Influenciada pela psicologia e emoções dos participantes do mercado, a história tende a repetir-se. Por isso, os preços movem-se ciclicamente numa direção, sendo improvável uma reversão repentina.
Com base nestes pressupostos, os investigadores em análise técnica consideram possível prever tendências de preços desde que se identifiquem as leis subjacentes ao movimento dos preços.
Normalmente, a análise técnica é abordada sob duas perspetivas: padrões e indicadores. Quando os preços apresentam variações regulares, podem ser desenhados padrões específicos no gráfico de barras, como o padrão de cabeça e ombros, cabeça e ombros invertido, duplo fundo, duplo topo, triângulo ascendente, triângulo descendente, entre outros. As principais zonas de preço, conhecidas como zonas de suporte e resistência, podem ser identificadas a partir destes padrões e servir de referência para a negociação.
A identificação das zonas de suporte e resistência é essencial na análise técnica. O intervalo de preço, geralmente associado a um elevado volume de posições, serve para avaliar se uma tendência se consolida ou reverte. Uma tendência dominante pode inverter-se quando surge resistência numa tendência ascendente ou suporte numa tendência descendente. Assim, os negociadores podem optar por comprar quando o preço se aproxima do suporte e vender quando se aproxima da resistência.
No caso do padrão W, por exemplo, quando uma recuperação após uma queda ultrapassa o máximo anterior, a zona de preço desse máximo torna-se um suporte chave, sinalizando que a pressão vendedora se transforma em pressão compradora, o que indica otimismo do mercado. Pelo contrário, no padrão M, se a correção ultrapassar o mínimo anterior, a banda de preço desse mínimo constitui uma resistência chave, sinalizando que a pressão compradora se transforma em pressão vendedora, o que indica pessimismo do mercado.
Os indicadores técnicos recorrem a métodos estatísticos para analisar dados históricos de transações e realizar cálculos matemáticos que permitem antecipar tendências futuras do mercado. Dependendo das variáveis utilizadas, os indicadores técnicos dividem-se em três tipos: tendências, osciladores e volumes; e, conforme o horizonte temporal, em indicadores de curto, médio e longo prazo.
Um dos indicadores mais práticos e utilizados é a média móvel. Calculada a partir dos preços históricos num determinado período, a média móvel reflete a tendência de preços nesse intervalo. Dependendo do peso atribuído ao preço, a média móvel pode ser simples (SMA), exponencial (EMA) — que atribui maior peso aos preços recentes — ou ponderada.
(WMA). A WMA utiliza os preços ponderados mais recentes para evidenciar desvios e inversões de tendência.
O Índice de Força Relativa (RSI) é outro indicador amplamente utilizado, que normaliza a diferença entre subidas e descidas de preços, atribuindo um valor entre 0 e 100. Em mercados em alta, quando a subida dos preços excede a descida, o RSI é mais elevado, e vice-versa. Um ativo é geralmente considerado sobrecomprado quando o RSI ultrapassa 70 e sobrevendido quando desce abaixo de 30.
Alguns indicadores baseiam-se noutros, como o Moving Average Convergence Divergence (MACD). A linha MACD (linha DIF) corresponde à diferença dos preços EMA entre dois períodos. O resultado mostra as tendências do MACD, também conhecido como linha de sinal (linha DEA). Subtraindo o valor da linha MACD pela linha de sinal, obtém-se o histograma MACD. Quando a linha MACD cruza a linha de sinal de baixo para cima, significa que a diferença recente da média exponencial dos preços é positiva e superior à média, sinalizando tendência otimista; quando cruza de cima para baixo, a diferença é negativa e inferior à média, sinalizando tendência pessimista.
A Bollinger Band (BB) é outro indicador técnico de referência. Delimita o intervalo de preço provável num gráfico de barras, combinando uma média móvel com desvios padrão. Coloca a SMA dos preços dos últimos n dias ao centro, calcula o desvio padrão desses n dias e estende m*desvios padrão para cima e para baixo como limites. A principal característica das Bandas de Bollinger é que, quando o preço oscila em torno da média móvel, a probabilidade de ocorrência de diferentes preços pode ser determinada estatisticamente. Numa distribuição normal, cerca de 95% dos valores situam-se dentro de 2 desvios padrão do valor central. Quando o preço se aproxima do limite superior ou inferior da Banda de Bollinger, geralmente indica um desvio significativo da média, podendo constituir uma oportunidade de compra ou venda.
Para quem pretende evitar cálculos complexos, o desenho de linhas de tendência é uma alternativa simples para analisar o mercado. Numa tendência ascendente, mínimos mais altos vão surgindo e a ligação de dois ou mais desses mínimos forma uma linha de tendência ascendente. Os preços podem continuar a subir até quebrarem essa linha. Numa tendência descendente, máximos mais baixos surgem e a ligação de dois ou mais desses máximos forma uma linha de tendência descendente. Os preços podem continuar a descer até quebrarem essa linha descendente.
Apesar de ser uma ferramenta prática e acessível, a análise técnica apresenta limitações que importa considerar. Antes de mais, trata-se apenas de um instrumento de análise de mercado para negociadores. Por isso, os resultados da análise técnica são frequentemente subjetivos, podendo refletir enviesamentos pessoais. Diferentes analistas podem chegar a conclusões opostas usando os mesmos indicadores técnicos. Além disso, a análise técnica pode gerar profecias autorrealizáveis: se um grupo significativo de negociadores adotar o mesmo comportamento, o preço tenderá a mover-se na direção esperada pelo grupo, independentemente da validade da análise. Acresce que a análise técnica ignora fatores fundamentais e baseia-se apenas em estatísticas históricas. Casos excecionais e fatores não identificados podem ocorrer, independentemente da profundidade da análise. Ao recorrer à análise técnica, é essencial compreender as suas limitações para evitar interpretações erróneas.
Das finanças tradicionais às criptomoedas, e da especulação de curto prazo ao investimento de valor a longo prazo, a questão de como obter lucro em mercados voláteis permanece central para investidores. Embora a análise técnica não seja tão objetiva ou abrangente como a análise fundamental, e a sua premissa de que o mercado é altamente eficiente e o futuro é uma extensão da história seja alvo de críticas, a sua versatilidade e capacidade de interpretação eficiente de dados tornam-na muito popular entre negociadores e capitais de risco. A conjugação da análise fundamental com a análise técnica é uma das estratégias ideais para otimizar a gestão de ativos e o desempenho financeiro.





