A Securities and Exchange Board of India (SEBI) lançou o programa-piloto “Demat 2.0” para títulos corporativos tokenizados, com as três primeiras emissões totalizando 10,25 bilhões de rúpias indianas (cerca de US$ 107 milhões); as instituições emissoras foram REC Ltd., Larsen & Toubro e IIFL. O Demat 2.0 registra títulos corporativos como tokens digitais nativos em um livro-razão distribuído.
Instituições emissoras e valores das três primeiras emissões
Os detalhes das três primeiras emissões de títulos corporativos tokenizados são os seguintes:
REC Ltd. (empresa estatal indiana de financiamento de infraestrutura): concluída em 7 de setembro de 2026, com emissão de 5 bilhões de rúpias indianas (cerca de US$ 52,3 milhões) e participação de 18 investidores institucionais
Larsen & Toubro (L&T) (grupo de engenharia): concluída em 9 de setembro, com emissão de 5 bilhões de rúpias indianas e participação de 4 investidores
IIFL (empresa de serviços financeiros): concluída em 9 de setembro, com emissão de 250 milhões de rúpias indianas, subscrita por 1 investidor
As três emissões totalizaram 10,25 bilhões de rúpias indianas (cerca de US$ 107 milhões), representando as primeiras transações da primeira fase do programa-piloto Demat 2.0.
Mecanismo de liquidação atômica
O Demat 2.0 conecta a liquidação dos títulos ao pagamento dos recursos por meio da Unified Market Interface do RBI e da rúpia digital de atacado (e₹), permitindo a liquidação atômica — a entrega dos títulos e o pagamento dos recursos devem ser concluídos simultaneamente para que toda a transação seja efetivada, reduzindo o risco de liquidação gerado pelo processamento separado de títulos e pagamentos nos procedimentos tradicionais.
Atualmente, após a conclusão do leilão de uma emissão de títulos corporativos, o emissor normalmente precisa de cerca de 2 a 3 dias para receber os recursos; a SEBI espera que, com a adoção do livro-razão distribuído e da rúpia digital, os emissores possam receber os valores já no dia do leilão.
Os pagamentos posteriores (juros e valores devidos no vencimento) também poderão ser realizados por meio da mesma infraestrutura, com pagamento direto em e₹ para as carteiras de CBDC dos investidores; as instituições autorizadas poderão consultar simultaneamente as informações dos detentores dos títulos por meio do mesmo livro-razão.
Estrutura jurídica do Demat 2.0
A SEBI enfatizou que o Demat 2.0 mantém a estrutura jurídica e regulatória existente para títulos corporativos, e que a tokenização altera principalmente a forma de registro, custódia e liquidação dos títulos, sem modificar os direitos jurídicos e financeiros existentes. Os títulos tokenizados mantêm o mesmo ISIN, as obrigações do emissor, a taxa de juros nominal, a data de vencimento, os termos contratuais, a classificação de crédito e os direitos dos investidores dos títulos corporativos tradicionais desmaterializados; embora a forma de custódia passe a ser a de tokens digitais em um livro-razão distribuído, o ativo correspondente continua sendo um título corporativo regulado pelas leis de valores mobiliários existentes.
As instituições depositárias de valores mobiliários são responsáveis pela manutenção do livro-razão distribuído correspondente, mantendo os ativos tokenizados integrados à infraestrutura de mercado regulada. Esse desenho permite que a Índia teste a tecnologia de livro-razão distribuído dentro da estrutura regulatória de valores mobiliários existente, preservando simultaneamente o sistema jurídico aplicável aos títulos corporativos tradicionais.
Contexto da política indiana de tokenização de ativos
Com o lançamento do Demat 2.0, o governo indiano também ampliou a atenção política à tokenização de ativos e à rúpia digital. A ministra das Finanças, Nirmala Sitharaman, afirmou no Global Fintech Fest, em Mumbai, que a Índia precisa continuar avançando na infraestrutura financeira digital e ajudar as empresas de tecnologia a lidar com os diferentes regimes regulatórios e requisitos de interoperabilidade de cada país.
O RBI já testou separadamente a rúpia digital de varejo e a de atacado, e o Demat 2.0 permite que a e₹ de atacado avance para o mercado de valores mobiliários regulado, assumindo diretamente a liquidação financeira das transações de títulos corporativos. O estado de Maharashtra está avaliando a tokenização de terras, infraestrutura e outros ativos sob posse do governo, explorando a possibilidade de usar esses ativos para captar recursos destinados ao financiamento de infraestrutura.
Perguntas frequentes
Quais foram as instituições e os valores das três primeiras emissões de títulos corporativos tokenizados do Demat 2.0?
As três primeiras instituições emissoras foram REC Ltd. (7 de setembro, 5 bilhões de rúpias indianas, 18 investidores), L&T (9 de setembro, 5 bilhões de rúpias indianas, 4 investidores) e IIFL (9 de setembro, 250 milhões de rúpias indianas, 1 investidor), totalizando 10,25 bilhões de rúpias indianas (cerca de US$ 107 milhões).
Como a liquidação atômica do Demat 2.0 reduz o tempo de liquidação existente?
Atualmente, após a conclusão do leilão de uma emissão de títulos corporativos, o emissor normalmente precisa de cerca de 2 a 3 dias para receber os recursos; o Demat 2.0 conecta a rúpia digital de atacado (e₹) por meio da Unified Market Interface do RBI, permitindo a liquidação atômica, na qual a entrega dos títulos e o pagamento dos recursos são concluídos simultaneamente. A SEBI espera que o recebimento dos recursos possa ser concluído já no dia do leilão.
Os títulos tokenizados do Demat 2.0 mantêm os direitos jurídicos existentes?
Sim. A SEBI afirmou que os títulos tokenizados mantêm o mesmo ISIN, as obrigações do emissor, a taxa de juros nominal, a data de vencimento, os termos contratuais, a classificação de crédito e os direitos dos investidores dos títulos corporativos tradicionais desmaterializados; a tokenização altera principalmente a forma de registro, custódia e liquidação, sem modificar os direitos jurídicos e financeiros existentes.